Em 1992 um fato curioso estampou as manchetes de alguns jornais: os
moradores da cidade de Brejinho de Nazaré, no Tocantins, relatavam
não estarem mais sonhando. Tudo começou quando uma professora pediu para que os
alunos registrassem seus sonhos durantes três dias e, ao final do período,
escrevessem uma redação. No dia combinado, para sua surpresa, nenhum deles
havia conseguido completar a tarefa. Pior do que isso, eles não tinham nem
começado. A desculpa parecia combinada, uma vez que todos alegavam não ter nem
começado porque simplesmente não sonharam. Nas semanas seguintes, a própria
professora passou a prestar mais atenção às suas noites de sono e, para sua
surpresa, também não estava sonhando.
Não demorou muito para a história se espalhar e todos
os moradores se darem conta de que, por algum motivo, não conseguiam sonhar. A
imprensa local fez longas reportagens onde desenvolvia algumas hipóteses. Uma
delas, por exemplo, questionava se a fuga dos sonhos não estaria relacionada a
um possível trauma coletivo pelo qual os moradores haviam passado. Isto porque,
alguns meses antes, os pedaços de um satélite de grande porte cortaram os céus
justamente numa noite em que todos estavam reunidos na praça da cidade assistindo
ao filme Guerra dos mundos. Houve muita correria; alguns, no entanto, ficaram
paralisados, outros se ajoelharam e começaram a rezar, pois pensavam estar diante
de uma invasão alienígena real. Passado o susto, seguiram suas vidas normalmente,
e a história acabou se tornando parte do folclore local.
A crise dos sonhos ganhou o imaginário nacional, por mais
um tempo ainda, após uma equipe do fantástico chegar à cidade para investigar o
assunto. Junto com ela o Padre Quevedo, famoso por desvendar mistérios que desafiavam
a lógica. A coisa toda ficou um pouco mais esquisita quando eles não puderam
terminar a reportagem que haviam apenas começado, porque, um dia após sua chegada,
os sonhos voltaram. Até hoje não se sabe muito bem o que levou os mais de
quatro mil moradores de Brejinho de Nazaré a pararem de sonhar durante alguns
meses.