quarta-feira, 17 de dezembro de 2025


bato na porta
eu mesmo abro
do outro lado não tem ninguém

 
dobro correndo a esquina
será que vou ser descoberto
      pelado
numa quarta-feira à tarde? 


onde foi parar o poema mesmo?
olha  


fica sabendo
que nem tudo é feito para
ser lido em voz alta 


guarda bem este segredo
que compartilho contigo
cheio de vergonha

 

 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025


que animal restou no fim
quando nada mais te lembrava o lar 


aquele que te acompanhava
              e cavava silêncio 


porque entendia o gesto
de deixar estar –
caminho que se revela na hora da morte 


a ele
a ti – na hora da vida
pelo portão aberto

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

 

onde

o último mês do ano é quase entrada

a roupa estendida acena

ao distraído

 – não precisa acrescentar

                          coisa nenhuma

– deixa

é tempo e evapora vencendo a fibra

dia aceso e quarado

                                  – deixa